quinta-feira, junho 04, 2009

Carta ao meu bebê IX

Oi meu bb...

Dei por mim que lhe escrevi pouco neste mês, mas acho que te contei quase tudo. Ao menos aquilo que lembrei de contar enquanto estava em frente ao computador.
Hoje faz um mês que você partiu e, contrário ao que eu esperava, estou bem, tranquilo, só um pouco sem vontade. Não há como negar, pensei em ir juntar-me a você muitas vezes, às vezes desejando que um carro me atropelasse, às vezes que dormisse no volante e partisse, às vezes só queria ir para estar com você, pois por mais que eu seja forte, ainda dói muito. Sonhei acordado inúmeras vezes que você estaria ao lado de meu pai, me chamando para acompanhá-los. Sonhei acordado que vocês me chamavam e me diziam que eu podia escolher viver mais um tempo, ou ir com vocês. Em minha cabeça, escolhi ficar, porque sei o quanto minha ausência poderia trazer tristeza a algumas pessoas e o fiz consciente de que vocês estariam me esperando por lá, não importa quando, pois nosso tempo é ínfimo perante a eternidade em que se encerram.
É estranho, enquanto tomava banho hoje, e fiz questão de fazer uma mini aroma-cromoterapia com ele, pensei em quão fresco você acharia que eu estaria sendo e talvez dissesse: "Banho é só pra gente se lavar e fazer outras coisas, não pra brincar de cheiro e acender vela". Efabulei. Não sei o que você de fato diria, estava mudando tanto. Mas sei que agora estou com saudade.
Mas voltando ao estranho, hoje termina meu luto. A partir de amanhã, volto a beber e a sair. Talvez a partir de hoje, ainda não resolvi. Parece que foi pouco tempo, é pouco tempo, mas não sei quanto tempo tenho aqui ainda, apesar de suspeitar que tenho muito. Isso, de qualquer forma, não importa, porque sei que você estará no meu coração eternamente.
Sábado irei com Natan para São Paulo. Será minha terceira viagem pra lá em menos de 30 dias. Confesso que por mais que repudie aquela cidade em alguns aspectos, a quero perto, pois muitos que lá estão me acompanham e me amam. E lá há muita vida, tantas histórias que a minha parece só mais uma, triste talvez, mas insignificante. Não posso negar nenhum dos tropeços que tive, mas também não posso negar minhas vitórias. Estas, você irá acompanhar ao longe, eu sei, mas serão muitas. Estou certo de que meu terceiro valor, um dia, será a ambição, a que você tinha e queria que eu tivesse.
Quero notícias dos seus pais. Não sei como eles estão e não marquei o telefone. Fiquei meio perdido.
Vou sair agora, me despedindo. Não tenho a intenção de lhe escrever mais, porém, se tiver vontade, virei.
Te amo, do começo ao fim, para sempre!