domingo, maio 31, 2009

Carta ao meu bebê VIII

Oi meu bb...

Antes de escrever qualquer coisa, preciso corrigir uma frase do último post: Meu amor por você não vai só daqui até o teto, vai de mim até onde você estiver. Se ao meu lado, se ao lado de seus pais, de algum amigo... se no lugar que te cabe, no recanto das almas.

Ainda está dificil acreditar que realmente aconteceu. Uma vida tão curta e tão bem vivida... como você bem dizia: "Eu não sou de passar vontade não. O máximo que pode me acontecer, é não acontecer o que quero". Transcrevi ela aqui meio toscamente, mas era isso mesmo que você dizia. O máximo, é levar um não, e para ele você já estava preparado. Eu, não.

Não estava preparado para te perder, para não mais te ver, sentir, sorrir, chorar, brincar, perturbar e todos os demais verbos que cabiam em nossas ações. Todos! Mas estou preparado para começar de novo. Ao menos, quero acreditar que estou.

Da última vez que te escrevi, estava com muita dor, sentia como se uma espada me estivesse atravessando o peito, passando pelos pulmões, coração, estômago. Me desfiz quando parei de escrever e o tornei público pois não pude superar sozinho a dor que me aflingia. Mas, já estou melhor, pensando que em 4 dias terminará meu luto em respeito a sua memória, ao nosso amor, ao meu amor por você e por nós dois. Ao mesmo tempo que imagino que isso pode a ser bom, porque me devolverá liberdades que tolhi, penso no quanto serei impugnado de um sofrimento por não ter mais a esperança, fugitiva de nossa caixa de Pandora. Esperança que nem deve ter fugido, deve estar guardada com você, se almas existirem. Agora, prefiro acreditar que sim, pois sei que se houver, irei revê-lo. Acho triste pensar isso, mas é verdade.

Hoje fui com Natan assistir Anjos e Demônios, acabei de chegar do cinema. Confesso que estava com medo de assisti-lo, e também ainda não tive coragem de assistir Wolverine. Mas gostei do filme, apesar de saber que a imaginação que o cerca é enorme. De qualquer jeito, certo estou de que você gostaria e sairia sorrindo do cinema falando: "Eu gostei bebê!", com um sorriso bobo de criança que ganhou um pirulito, as usual.

Essa semana eu fiz diversas coisas, aliás. Fui a São Paulo dia 28, para dia 29 fazer uma prova no Etapa, quem sabe não consigo dar umas aulas, lá? Seria bem vindo se me contratassem para Valinhos, mas acho difícil. Depois fiquei com o Flávio lá, passeamos um pouco, comemos num restaurante "simprão". Queria relembrar o tempo em que você e eu comíamos marmita. Ele relutou, mas foi e gostou. Acho que você também iria ter gostado. Acho que me cansei de saber que você não está mais aqui... cansei de usar o futuro do pretérito.

Bom, whatever, ontem dei a melhor aula da minha vida. Nunca senti algo como aquilo, sei lá. Estava tão tranquilo para conversar com os alunos, acho que porque eles são mais velhos e entendem que devem estudar... isso foi muito bom. Nossa... wish I could had had the opportunity to tell you (eu e meu inglês fraco).

Hoje foi ficando por aqui... como disse hoje... te amando... te amando para sempre, até o dia que você virá me buscar, porque eu sei que você virá, mas sei que vai demorar muito... eu sinto isso.
Te amo, bebê, daqui até onde você estiver. Esteja em paz, meu amor!

PS: Ya no puedo creer que el amor tan profundo que sentí, es ahora platónico! Hay que amar, mismo sin cuando no se puede ver.

quarta-feira, maio 27, 2009

Carta ao meu bebê VII

Oi meu bb, meu amor...

Queria hoje nos parabenizar. Hoje seria o nosso terceiro aniversário! Acho que ambos lembramos bem daquela conversa de bêbados (porque estávamos, como da primeira vez que nos beijamos e de outras muitas vezes) e numa conversa sem sentido, saí de mãos dadas com você pela república da Eva, contente como uma criança que acabou de ganhar um bichinho de pelúcia e perguntando a todos se já conheciam o meu namorado, o meu abobrinha, o meu toquinho, o meu gordinho, o meu bichinho de pelúcia, meu bebê com cabelo de pompom.

Que dia mais doce nas nossas vidas! Vivi uma alegria monumental naquele momento que foi se repetindo cada vez que eu te abraçava, que tentava te acordar nos sábados e domingos de manhã, que via seu rosto amassado do travesseiro, às vezes com o nariz e olhos vermelhos com alergia. Lembro-me bem de como vc passava a mão e o braço no nariz quando estava com alergia. Lembro-me de como colocava na boca com a mão a comida que queria fugir, rs. Achava tudo lindo, sempre achei.

Hoje o dia foi duro demais. Acordei chorando, sabe? A sua despresenciação às vezes me enlouquece, quando dou por mim que não está mais aqui. Tenho tentado até evitar escrever essas linhas sem revisão, pq sempre que te escrevo, alguma coisa acontece. Em geral, meus olhos viram nascentes e minhas bochechas cachoeiras. Não é certo, não é justo! Te quero de volta, te quero ao meu lado, queria eu poder estar a seu lado, sem preocupar-me que ainda há um mundo a construir e uma missão, que acho ser longa, a cumprir.

Bom, disso tudo que passamos, desses três anos que nos conhecemos, aprendi muita coisa com você. Aprendi que devemos ter foco, prioridades, atenção e ambição. Que é importante saber onde se quer chegar, mas vivendo um dia de cada vez. Como não lembrar de vc a todo momento se estou tentando viver um dia por vez? Me ajuda? Por que vc não teve tempo pra me ensinar isso? Me dá uma luz, vai? Ilumina essa parte do meu caminho com a sua luz, não me deixa ter que fazer tudo sozinho, pq eu não consigo.

Na semana passada, na sexta-feira, eu me demiti da Hunter, como tinha te dito em abril que faria. Segunda foi meu último dia. Foi com mta dor no bolso e no coração que eu fiz, pq gosto mto das pessoas de lá e da renda q me provia, mas sei que aquele não é meu caminho. Melhor fazer o que sei, ou espero que saiba: estudar.

Ainda não consegui retomar os estudos, mas preciso. Tenho que ter força para ir em frente e abondonar as suas lembranças que me corroem de medo, desespero, saudade, amor, carência. Nem sei, sinto tanta coisa ao mesmo tempo e tudo parece tão pouco perto do que eu sinto por você. Mas tenho que te deixar pra trás, tenho que fazer isso, sem nunca te esquecer.

Ontem vi no orkut da sua mãe umas fotos suas do exame de faixa. Nunca vou me conformar de não ter ido assistir, de não ter fugido cedo da casa da Marcela e ido te ver. Meu peito se retorceu quando as vi.

Sabe, me faz falta não ter um vídeo seu, para ouvir a sua voz, te ver em movimento. Não consegui achar nenhum... acho que talvez não tenha procurado direito.

Bom, vou parar de escrever por aqui. Na sexta-feira vou fazer uma prova no Etapa de São Paulo, para professor de português. Espero que eu me saia bem, pois preciso de um outro trabalho com carteira assinada, pra ir juntando uma graninha do FGTS. Torce por mim!

Sábado, finalmente, começam as aulas em Itatiba. Preciso mostrar que sou bom, para os alunos me avaliarem bem e eu não perder a vaga, será que consigo? Hope so!

Qualquer dia preciso rever aquele filme, Um amor para recordar. Lembra como você morria de medo de me deixar aqui? E não é que isso aconteceu de verdade?

BB, meu blog virou só lamento. Do começo ao fim. Mas hoje vou colocar uma foto nossa aqui, pq acho que é bom para lembrar. É dos nossos primeiros meses de namoro, no aniversário da Carol, em 2006.
Você já estava lá, meio alegrinho, e eu cheguei mais tarde, acho que estava dando aula. Lembro que levamos pra casa copinhos de pinga da Sagatiba, pq tinha promoção de caipirinha. E você na época não tinha vergonha de me abraçar ou beijar em público. Era bom, não volta mas eu gostava demais e lembro com muito carinho de tudo que posso, de tudo que consigo.
Meu amor por você não tem tamanho, vai daqui até o teto.

quinta-feira, maio 21, 2009

Carta ao meu bebê VI

Oi meu bb...
Hoje o dia foi bem difícil. Muitas conversas me deixaram um pouco tenso. Tive até uma espécie de taquicardia... daquelas que dão quando você fica nervoso, ansioso, com medo ou com muita saudade. É não foi fácil. Parece que muitas coisas ainda preciso esclarecer, sei lá. Ontem ouvi uma música e não tive como não lembrar de você. É triste, mas é funcional, ajuda a seguir em frente, por mais que eu queira retroceder. Vento no Litoral, do Legião. Aí vai a letra, caso você não se lembre...

De tarde quero descansar, chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção

Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
E quando eu vejo o mar,
Existe algo que diz,
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?

- Ei, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Hoje não consigo mais escrever. Tá doendo muito, to com o coração muito apertado, com saudade demais. Te amo daqui até onde você estiver, meu anjinho, minha estrela cadente, meu sonho, meu amor além da vida, meu abobrinha!

segunda-feira, maio 18, 2009

Carta ao meu bebê V

Oi meu amor...
Hoje as coisas aqui estão calmas e ao mesmo tempo turbulentas, não sei explicar. Acho que são muitas novidades chegando.
Eu fiquei alguns muitos dias sem te escrever, mas se de onde vc estiver, vc conseguir me ver e me sentir, sabe que não deixei de pensar em você.
No dia seguinte ao penúltimo post, dia 13/05, foi nosso terceiro aniversário de first kiss. Lembro-me bem, até hoje, de você puxar meu queijo e quase me engolir, rs. Viva o drink do inferno e a tequila que nos possibilitaram aquela noite Dionisíaca. Lembro-me também que não quis convidá-lo a entrar, rs, pois tinha gostado tanto que não quis entregar o ouro de cara... acho que fiz bem em te cozinhar um pouquinho... nada tão demorado, afinal, bastou o PCC atacar e eu decidir fazer uma lasanha para você no dia seguinte dizendo: "Se quiser vir, venha. A comida é boa". Foi lindo, foi dia 16 ou 17. Não sei ao certo, mas foi pra gente a marca de que aquilo não era para ser feito uma vez só, afinal, por mais que figurinhas repetidas não completarem alguns, você sabia que o nosso álbum seria recheado de muitas outras coisas, pq era eu, talvez, sua figurinha brilhante, carimbada de "abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim". Fizemos bem o nosso álbum, um álbum com mais lembranças que fotos, mais intenso que material.
Sei lá, estou escrevendo agora, nestes minutos precisos, pq queria me concentrar em você enquanto sua família ora. Atendo ao pedido de sua mãe. Essa mesma que hoje me trata por filho e que há muito tempo a cuido com afeto, hoje, talvez um afeto mais profícuo.
Dia 14 nem sei que fiz, acho que só enrolei e cuidei das coisas de qualquer jeito. Almocei com a Lu, como sempre e ficamos dando risada de coisas bobas na Arcádia, lá no Iel, onde uma menina uma vez deu em cima de mim numa festa e não de vc, pra minha ou nossa surpresa. Mundo louco, este.
Dia 15 fez 5 anos que conheci o Flávio e acabei fugindo para a casa dele em SP. Confesso que foi muito bom. Flávio é meu melhor amigo e quem nos apresentou, como você bem se lembra, ele tentava fazer eu gostar de você, mesmo com meu ciúme doentio. Tanto fez que deu certo e eu o agradeci por ter me proporcionado a experiência de te conhecer e viver uma vida a dois contigo. Muitas vezes não me contive, queria que você estivesse lá, queria que tivesse conhecido o Renato e comido as maravilhas orgânicas que ele faz. Homem de grande talento esse. Sei que no sábado não quis voltar pra casa... confesso que fugi de estar sozinho sem você.
Mas foi no sábado que o Flávio, novamente, te representou. Foi comigo à casa do André para um almoço com minha gangue... isso depois de termos passeado um monte no Parque da Água Branca e visto o milagre da vida se fazendo... tantas galinhas com montes de pintinhos, rs... muito lindos... acho que você teria gostado de vê-los. Nunca soube se você já tinha tido essa experiência, mas julgo que não... vc foi um urbanóide, né?
No almoço, voltando a ele, conversei um pouco com a Marcela, contei a ela o que te aconteceu e, pra variar, também lhe foi difícil acreditar... nem sei como eu já consigo acreditar. Tenho a mesma sensação que o Flávio descreveu, de que se te escrever, vc vai responder ao e-mail, se te ligar, você vai atender. Sei lá. Não sei pq não te liguei naquele domingo... não me conformo de não ter me levantado para trocarmos algumas palavras.
Bom, passou, não há como voltar. Ontem voltei a Campinas e minha mãe veio para cá. Confesso ter sido um grande conforto abraçá-la quando minhas lágrimas queriam fugir de dentro de mim, como agora. Ela sabe o que eu estou passando e compartilha essa estranha dor comigo, que às vezes se manifesta em uma ausência devastadora e me faz cintilar os olhos. É, salve as válvulas de escape, salve nossos subterfúgios, nossas fugas. Ontem fez 15 dias. foi o recorde de tempo que não nos falamos. Quando fizemos aniversário de 3 anos, será o recorde de tempo que não te vejo. E vai ser difícil demais viver esse momento. Não sei se é possível acreditar. Eu sei que ia te ganhar de presente de novo... eu sei sim.
Hoje foi um dia estranho, mas bom. Deveria ter pedido minha rescisão na consultoria, mas não consegui... e assim que saí de lá, me apareceram três oportunidades de trabalho... dois alunos particulares e um processo seletivo pro Etapa de São Paulo e de Valinhos... sei que o dia que eu for lá fazer a prova, você vai estar lá me incentivando. Não digo ajudando pq vc sabe q algumas coisas eu sei fazer melhor que você, rs... algo como uma prova de português, rs. Mas vai estar lá me apoiando, dizendo: "vai bb, eu sei que você consegue".
No mais, as coisas estão meio conturbadas aqui em relação à casa... e eu ainda não liguei pro cara do carro para ver como ele vai pagar. Sei que vai ter q pagar.
Fico por aqui hoje... não te prendendo mais nas minhas longas divagações.
Ah, esqueci de comentar que no dia 13 escrevi a seguinte frase no msn: Il y a trois ans que tu m'a apprivoise (Faz 3 anos que você me cativou). Meio que totalmente inspirado no pequeno príncipe, rs. Lembrei de nossas músicas, da que você cantava pra mim quando te pedia pra me ninar, todo manhoso, lembrei que te fiz se apaixonar por mim, lendo poesias que você não gostava. Bom, é a vida! Vida e morte será finda?

terça-feira, maio 12, 2009

Carta ao meu bebê IV

Boa noite, meu anjinho...
Agora estou certo de que você é um anjinho... que vai tomar o lugar do que antes era meu anjo da guarda... sim sim sim... sinto que é você quem me acompanha e que me guia a não fazer tanta besteira.
Mas sabe, sinto quando se afasta de mim, aí vem aquele vazio, aquela ausência, um desespero que sempre se transformam em lágrimas. Lágrimas tristes de não ter você por perto, mas lágrimas que anseiam por você estar bem. Cada dia que passa elas vêm em menor quantidade, estou me esforçando para compreender e deixar você ir em paz. Não quero prender sua alma aqui, não quero você triste e chorando como me disseram que a viram. Quero você brilhante, como o anjo torto que era na minha vida.
Ah, se eu soubesse que tudo isso aconteceria, teria te levado pra Curitiba comigo, Natan e Flávio. Foi um lindo passeio, mas acho que você não iria dar conta das tantas caminhadas. Já estava bem fraco, né, meu amor?
Hoje falei com sua mãe. Contei a ela meus planos de mestrado, de leitorado... mas ainda não sei se me inscreverei. Tudo anda tão bagunçado... queria ter tido força de arrumar tudo, mas não tive... vou ver se faço daqui a pouco.
Mas falava de minha conversa com ela. Senti que ela está remoendo-se demais e acho que isto pode te prender aqui... disse a ela que precisa ter planos pro futuro, porque ela ainda tem o seu irmão para cuidar, outro ser iluminado, mas que ainda precisa muito dela e de seu pai. Ainda não cresceu totalmente, mas é um bravo. Te contei que foi ele que não deixou que te levassem para sua nova e pouco confortável cama, antes que eu me despedisse, né? Tive muito orgulho dele.
Acho que hoje estou um pouco perdido, falo uma coisa e depois volto no tema. Não importa, vc sempre me entende, mesmo. Disse a sua mãe que irei visitá-la, quando for mais oportuno, ainda não estou preparado para ir até lá, mas logo estarei e irei vê-la.
Quanto a mim, sei lá o que contar. Ontem uma mãe de dois alunos veio me perguntar pq ninguém gostava de mim. É, se ela soubesse que lá na escola ninguém gosta dela, acho que seria problemático, mas me controlei. Afinal, ela nada tem a ver com minhas penas, senão com meu trabalho. Hoje voltei a dar aulas e mais uma vez não consegui animar os alunos... bom, era correção de provas.
Na consultoria, não consegui me demitir. Gosto demais da Ana e o salário me serve, mas estou deveras cansado, precisando de um tempo para mim, para ajeitar a minha vida e, se lá continuo, não conseguirei fazê-lo. Sei lá.
LoveU, missU, wish U were here.
Durma em paz!

domingo, maio 10, 2009

Carta ao meu bebê III

Oi meu amor...
ontem foi meu aniversário, como você bem sabia, e o dia foi muito difícil. Fiquei lembrando de você a todo momento e não consegui segurar o choro várias vezes ao dia. Foi barra. Estava sonhando com a hora que você entraria pelo portão de casa com aquele seu sorriso bobo dizendo: "Feliz Aniversáriooo!", sorrindo e me dando um abraço forte com os dois braços encima de meus ombros e eu ia dizer: "Humpf, obrigado meu amor!" e ia te abraçar e sentir o seu cheiro de talquinho, que hoje guardo no meu edredon.
Olha, amar você foi um privilégio, e ser amado por você então, por tanto tempo, nem se fala.
Fui almoçar com a minha mãe no Aulus e, de repente, me perdi olhando pro alface com croutons, bacon e aquele molho que nunca descobri como fazia, mas que você adorava, aí contei pra mamãe isso.
Pouco depois, estava de novo com o olhar perdido, esquecendo que precisava comer. Pensando em quantas vezes a gente foi lá e comeu e muitas vezes nem conversou... só comeu e olhou um pro outro com cara de satisfação. Eu não sei se senti dor, se foi angústia ou desespero. Queria que você estivesse lá.
Voltei pra casa e fiquei esperando minha irmã e avó chegarem. Foi bom e pesado abraçá-las. Você sabe tão bem quanto eu como nossas muralhas caem perto dos que amamos e resistir foi um exercício. Sabe, voltei a pensar pq alguém como você teve que ir e tantos outros imprestáveis ficaram. A Carol, amiga da Bebel, me disse que só as pessoas boas, iluminadas e com o coração puro falecem como você, tranquilos e sem dor. Queria ter sua luz e poder brilhar e ser amado como você.
À noite o pessoal veio em casa, fizemos uma pequena celebração aqui, ao estilo daquela do meu primeiro aniversário que você veio, em 2006. Nunca pensaria como nossas vidas iriam mudar 4 dias depois daquela festa... e 18 dias então, mudaria muito mais.
Foi bom que vieram, eu estava muito pra baixo, tinha dada uma caída, como você diria. Por um tempo me afastei da dor que me corroía para me dedicar a minha existência. Sei que você não gostaria que eu ficasse lamentando pra todo mundo e não aproveitasse a minha vida. Na verdade não sei se sei, mas espero.
Hoje acordei indisposto. Precisava ligar para a Ana, mas não tenho coragem. Mau me disse que ela queria que hoje foi um dia triste... e, para mim, está sendo de fato. vou escrever no orkut uma mensagem bonita, daquelas q eu escrevo e as pessoas têm que ler mais de uma vez para entender, rs. Achava muito fofo você falar isso... sei que gostava quando eu te escrevia, minha válvula de escape...
Ah, são tantas lembranças... tantos momentos que eu tinha esquecido e que estão se reavivando... é tanto você em mim, todo o tempo.
Estou com saudades demais e meu coração quer te encontrar.
Te amo, viu? Bastante!

sexta-feira, maio 08, 2009

Carta ao meu bebê II e 1/2

Esqueci de te contar ontem que a Lih escreveu um post em sua homenagem, em luto pela sua desexistência.
Tá aí o link: http://cantodealice.blogspot.com/2009/05/luto.html

Que saudade, viu? A noite volto para contar um pouco mais do meu dia.

quinta-feira, maio 07, 2009

Carta ao meu bebê II

Oi meu anjo, minha estrela...
As coisas por aqui estão precisando de sua ajuda, ou não. Imagino que hoje tenha sido um dia difícil para eles, afinal, estavam desmontando de vez a sua casa. Ou ex-casa. Estou preocupado e de mãos atadas, pois não tenho o que fazer para ajudá-los.
Bom, meu dia hoje começou cedo, fiz radiografia da boca (panorâmica), e logo após a Ale me ligou. Falei com seu irmão, almocei com a Luciana, fui à aula, vi uma casa para nos mudarmos. Acho que preciso mudar daqui logo, para deixar muitas de novas lembranças... mas ao mesmo tempo gostaria de ficar aqui, lembrando de tudo o que aprontamos... todas as conversas, filmes, discussões, abraços e carinhos sem ter fim.
No trabalho foi bem difícil. Decidi fazer a comemoração do meu aniversário, mas uma recepção tranquila, sem nada demais. Vou fazer uma comida e receber aqueles q se importam comigo. Vamos ver se rende caldo e me alivia um pouco as penas. No fundo, acho que logo irei me cansar e querer vir ficar quieto em meu quarto. Mas estou me obrigando a viver. Acho que você faria o mesmo. Bom, se não fizesse, sei lá... éramos tão diferentes, não? E isso sim dava caldo, rs.
Mau me falou q até pagou pau pra mim... por ter conseguido fazer vc ficar comigo por tanto tempo. Você sempre tão arisco, né bb?
Pensei em vc um monte de tempo... só pra variar... vi fotos suas, q nao sabia q existiam. Era só comigo q vc encrespava de tirar foto, né? Com os outros, só alegria... bom, não importa. Tantos ângulos de vc me fazem lembrar q eu conhecia cada detalhe do seu corpo, e q enquanto ele funcionou, por um bom tempo, pude contemplá-lo.
Vamos ver como será amanhã. Espero um dia melhor. Mas hoje você vem dormir comigo?
Não esqueça de iluminar o meu caminho, ok?
Beijos.

quarta-feira, maio 06, 2009

Carta ao meu bebê

Hoje decidi reavivar este blog, para contar-lhe dos meus dias, meu amor!
Como você mesmo me dizia, escrever é minha fuga. Eu acho que é meu remédio, meu acalento. Queria ter ido com você nessa jornada, mas acho que seria difícil. Não conseguimos nenhuma vez nos programar pra tal, sempre foi complicado esse ponto de nossas vidas.
Estou fazendo isto de diário... sei lá pq resolvi me dedicar a tal. Acho que eu preciso de um outro ombro amigo, para contar os meus problemas e me ajudar a refletir, já que você não está mais aqui.
No dia que tudo aconteceu, foi muito difícil pra mim. Se não fosse o Mau, acho que eu ainda não acreditaria e pensaria que você estava tentando me enganar, com uma brincadeira boba demais. Mas não, não era. Vi que você estava tranquilo e fiquei parcialmente em paz. Agora quando me lembro, sei que você não sofreu, ou ao menos, como costumava, não demonstrou. Queria que tivesse me demonstrado mais, chorado mais em meu colo que você tinha a sua disposição quando quisesse.
Fiquei pensando como poderia ser possível tal golpe. Sim, fui egoísta e quis saber o pq de eu sofrer esta derrota, depois pensei na sua família e por fim, preferi me acalentar imaginando que você estava melhor. E se está melhor, pq não me levou junto nesse caminho de mais felicidade? O que eu tenho feito de errado para permanecer aqui?
Sei lá, há de haver quem saiba, ou não, talvez seja tudo mesmo por acaso.
Bom, no fim do dia, só consegui dormir pq sabia que você estava ao meu lado. Talvez nem estivesse, mas minha mente foi forte o suficiente para te recriar, trazer a mim o arrepio que eu sentia quando você me abraçava. Dormi, por um tempo em paz. Até q minha mente dormiu também e acordei desesperado.

Ontem acordei chorando. Perguntei a mim mesmo onde você estaria e o que eu poderia fazer com a fome que eu sentia. A fome de ter você vivo, perto ou longe de mim, mas vivo. Acessível.
Todos queriam que eu comesse... mas minha fome era de ovos mexidos, com presunto e queijo. Daquele jeito molhadinho que só você sabia fazer pra mim. Era tão bom. Ainda vou comprar um monte de ovos para tentar aprender. Quem sabe me consolo?
Vi você em todas as paredes, em todos os momentos, em todos os lugares. Lembrei de muitos momentos bons, de prazer e de aventura, até de algumas brigas frustradas que tivemos. Não sei, mas a saudade apertou demais.

Hoje amanheci mais calmo. Ainda cheio de vontades, de te ver, te beijar... parece que junto a você minha vida era mais completa... cheia de contrapontos e porquês.
Trabalhei um pouco. Passei as notas, fui à consultoria, fui a sua casa. Já não era mais seu espaço. Estava tudo guardado, fora dos eixos que você deixava. Mas foi bom vê-los. Perceber que a tolerância lhes brotou e que o nós foi um problema que ficou tão pequeno diante da magnitude do fato.

Estou com muitas saudades. Amanhã volto para conversar um pouco mais.